sexta-feira, 26 de novembro de 2010

LONGE (Fabricio Ramos)

Longe das caravelas perto das donzelas do interior
Longe dos quatro ventos que sopravam logo que você chegou
Longe do incenso grave e não liberado que você queimou
Longe da piada explícita e dessa política que nos governou

Longe de um acidente do cara imprudente que se embriagou
Longe do choque mais certo do sinal fechado que você passou
Longe da sociedade meio alternativa que Raul criou
Longe é nossa liberdade presa desde o tempo que Cabral chegou

Longe tão longe que lugar longe que ninguém chegou
Longe tão longe será verdade ninguém avistou


Longe da nossa ganância, da ignorância que se acumulou
Longe do nosso racismo, já passou do tempo eu acho que aumentou
Longe aquela terça-feira, ontem foi segunda e ninguém notou
Longe daquele nome que eu escrevi e ninguém decorou

Longe da carapuça você não fez nada ela lhe condenou
Longe do suor mais caro que o bandido veio e de você roubou
Longe do medo da chuva ficou molhado e ninguém te enxugou
Longe da minha cidade, cidade mais alta do interior

Longe tão longe que lugar longe que ninguém chegou
Longe tão longe será verdade ninguém avistou



*esse poema está músicado, ouça em: www.myspace.com/fabricio80

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